
Foi lançado
ontem (7), em Barcelona (Espanha), por um grupo de 250 ambientalistas,
empresários, indígenas e executivos do Banco
Mundial, o documento intitulado de Além da REDD :
o Papel das Florestas na Mudança Climática.
Esse documento declara que o principal mecanismo financeiro
usado atualmente para conter a mudança climática
por meio do combate ao desmatamento, o mecanismo de Redução
de Emissões por Desmatamento e Degradação
(REDD), é falho.
O
objetivo do REDD é premiar, com recursos financeiros,
quem conseguir diminuir suas taxas de desmatamento, e assim,
reduzir a emissão de gases-estufa - uma espécie
de "Bolsa-Desmatamento". O problema em questão,
de acordo com o grupo, é que o mecanismo acaba premiando
quem mais desmatou e pode ser injusto com quem mais preservou.
Neste contexto, estados que mais desmatam a Amazônia
poderiam ser recompensados enquanto que outros que mais
preservam a floresta não ganhariam nada.
A
declaração afirma ainda que a gestão
florestal sustentável, capaz de reduzir o desmatamento
e a degradação, assim como o apoio para milhões
de comunidades que dependem das florestas, deve ser uma
das mais altas prioridades, sendo que as florestas e seus
produtos têm a capacidade de reduzir as emissões
de gases de efeito estufa, capturar emissões carbônicas
e reduzir a vulnerabilidade das pessoas à mudança
climática. "Pela primeira vez, e em escala sem
precedentes, líderes florestais, representantes de
empresas, doadores e grupos comunitários não
só concordaram quanto ao papel central que as florestas
podem desempenhar na atenuação da mudança
do clima, como também definiram em consenso um plano
de ação sobre as próximas medidas concretas",
disse Stewart Maginis, diretor do Programa de Conservação
Florestal da União Internacional para Conservação
da Natureza (UICN).
Hoje,
durante o megacongresso de conservação promovido
pela União Internacional para a Conservação
da Natureza (IUCN), que reúne 8 mil pessoas em Barcelona,
o Diálogo das Florestas (The Forests Dialogue) divulgará
um documento que sugere alguns princípios que deveriam
guiar as negociações internacionais em mudanças
climáticas em curso para o pós-2012, quando
expira o primeiro período de compromissos do Protocolo
de Kyoto. De acordo com Roberto Smeraldi, diretor da organização
Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, "a declaração
é um poderoso recado para os diplomatas dos governos
que fazem parte da Convenção de Clima, para
encontrarem um acordo urgente que permita recuperar os anos
perdidos na luta ao desmatamento. É preciso logo
começar interrompendo os subsídios para produtos
e atividades que desmatam".