
Aconteceu de 13 a 15 de novembro, em Tefé, Amazonas,
a Flor da Palavra + Assembléia da Associação
Cultural dos Povos Indígenas do Médio Solimões
e Afluentes (ACPIMSA - de 13 a 14) + Assembléia da
Associação das Mulheres Indígenas do
Médio Solimões e Afluentes (AMINSA - dia 15).
A assembléia de mulheres, que começou a ser
mobilizada com apenas uma semana de antecedência,
foi inesperada para grande parte dos participantes dos eventos.
Segundo Maria do Socorro, índia Cocama da aldeia
Boca do Mucura, Fonte Boa (AM), apenas os homens estavam
se preparando para participar da assembléia da ACPIMSA.
Então as mulheres da aldeia disseram que não
ficariam para trás, insistiram e vieram junto para
participar da ACPIMSA e nem imaginavam que haveria uma assembléia
só para elas. No dia em que esta ocorreu reavivou-se
o costume de que, quando a assembléia é de
mulheres, quem cuida da cozinha são os homens.
Após
um período de desarticulação que se
seguiu à crise da antiga União das Nações
Indígenas de Tefé (UNI-Tefé), entidade
que terminou depois de não conseguir mais prestar
contas de seus projetos, sobretudo na área de saúde,
o movimento indígena do Médio Solimões
e afluentes vem ressurgindo e se renovando com novas e antigas
lideranças e a multiplicação de associações
que refletem, em parte, a multiplicação de
oportunidades abertas por políticas públicas
e ações da sociedade civil em defesa dos povos
indígenas. Além da ACPIMSA e da AMINSA, já
houve neste semestre a assembléia da União
dos Povos Indígenas do Médio Solimões
e Afluentes (UNIPI-MSA), criada para substituir a UNI-Tefé,
do Conselho Indígena do Rio Japurá (CIJA),
que decidiu ampliar sua atuação para todo
o Médio Solimões e afluentes, e outras ainda
estão por acontecer até o final do ano. A
AMIMSA foi criada no final dos anos 80 como parte da UNI-Tefé,
mas agora está sendo fundada como organização
autônoma.
A
Flor da Palavra é uma rede de inspiração
zapatista que pretende facilitar a criação
de laços de comunicação e solidariedade
entre povos, movimentos, grupos e indivíduos, tecendo
assim "um mundo onde caibam muitos mundos" e o
combate ao capitalismo. Nestas assembléias a participação
da Flor da Palavra foi instalar a rádio livre Xibé
para realizar a transmissão ao vivo dos debates e
deliberações para toda a cidade de Tefé
e região, além da realização
de apresentações sobre o trabalho colaborativo
do CMI-Tefé, Universidade do Estado do Amazonas e
ACPIMSA na terra indígena da Barreira da Missão,
sobre a experiência dos jovens participantes do CMI-Tefé
e sobre a situação da juventude do bairro
Nossa Senhora de Fátima, um dos bairros mais pobres
e discriminados de Tefé, onde foi realizado o evento
"Flor da Vila" e, segundo o novo coordenador da
ACPIMSA Paulo dos Santos, 70% da população
é indígena sem que exista o reconhecimento
disto.