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-continuação
da página inicial-
| Chico
Mendes: unanimidade, mas apenas no discurso |
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A
idéia de que a floresta amazônica tem que
ter mais valor em pé do que derrubada é
praticamente uma unanimidade. Esse conceito surgiu quando
seringueiros do Acre, liderados pelo Chico Mendes, propuseram
o uso das florestas como motor de sua conservação.
Os
seringueiros criaram esse conceito a partir de seu
próprio modo de vida. Trabalhando nos seringais,
sabiam que a floresta em pé era fundamental
não só para eles, mas para todos. "Nós
estamos conscientes de que a
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Amazônia
não pode ser um santuário intocável.
Basta que o governo leve a sério a proposta dos seringueiros
e dos índios, que eu acredito que em poucos anos a
Amazônia poderá se transformar numa região
economicamente viável não só para nós,
mas para o país e para toda a humanidade, para todo
o planeta", disse Chico Mendes, em 1988.
Contudo,
hoje - aos 20 anos de morte do líder seringueiro
- esse conceito é unânime apenas no discurso.
Na prática, as atividades que promovem a substituição
da floresta por áreas agrícolas são
incentivadas e subsidiadas, enquanto políticas para
o desenvolvimento local sustentável continuam em
segundo plano.
Um exemplo
disso foi dado no dia 11 de dezembro, quando o governo publicou
a revisão do decreto de regulamentação
da Lei de Crimes Ambientais. O decreto flexibilizou a lei
para atender interesses do agronegócio, adiando o
prazo para o cumprimento da Reserva Legal (80% da propriedade,
se esta estiver na Amazônia). Dias depois, o governo
modificou a medida, adicionando um artigo que excluía
as propriedades da Amazônia do decreto. Apesar disso,
o decreto continua valendo para propriedades em todos os
outros biomas do país, como Mata Atlântica
e Cerrado, tão ameaçados quanto a Amazônia.
Uma
semana antes, ONGs e entidades ambientalistas anunciaram
que se retirariam das negociações sobre a
revisão do Código Florestal. Nessas negociações,
o Ministério da Agricultura apresentou um plano que
reduziria os percentuais da Reserva Legal e das Áreas
de Proteção Permanente (APP), permitindo o
plantio de exóticas como o dendê e anistiando
desmatadores. Esse projeto ainda está em fase de
debates, mas a apresentação do plano exemplifica
bem os incentivos do governo para a derrubada da floresta,
longe dos ideais de Chico Mendes.
Isso
sem falar na Medida Provisória 422, convertida na
lei 11.763 de 1 de agosto de 2008 pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, que amplia de 500 para 1500 hectares o limite
de áreas invadidas que podem ser legalizadas sem
licitação. Ou seja, com essa medida um grileiro
pode legalizar até 1500 hectares invadidos sem exigências
por parte do governo.
Não
bastassem os incentivos à pecuária extensiva
e ao agronegócio predatório, a ausência
do Estado, de instrumentos de promoção social,
controle e fiscalização na Amazônia,
mantém a impunidade na região. Chico foi assassinado
em sua casa e o mandante do crime, o fazendeiro Darly Alves
da Silva, apenas cumpre prisão domiciliar. Além
disso, falou em entrevista que "Chico Mendes matou
a si mesmo".
O caso,
infelizmente, não é isolado. O fazendeiro
Bida, mandante do assassinato da irmã Dorothy Stang,
por exemplo, foi inocentado das acusações.
Chico e irmã Dorothy lutavam por um modelo de desenvolvimento
que não destruísse a floresta, assim como
lutam diversos ribeirinhos, líderes locais e sindicalistas
que continuam defendendo a floresta mesmo após as
ameaças de morte se tornarem comuns. O caso mais
recente é o do ribeirinho Francisco Caetano, líder
dos agroextrativistas do Baixo Rio Branco. Caetano teve
sua casa atacada e incendiada por traficantes de tartarugas
que não querem que a reserva extrativista seja criada.
Com
a ausência total do estado de direito na Amazônia
atrelado ao modo de desenvolvimento não sustentável
que rege as políticas brasileiras, não só
os ribeirinhos, índios, sindicalistas e ambientalistas
que lutam pela Amazônia correm o risco de ter o mesmo
fim de Chico Mendes. Também a maior floresta tropical
do mundo parece caminhar para esse destino.
| Manaus
sediará evento sobre mudanças climáticas
globais |
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MANAUS
- As mudanças climáticas globais e as ações
(projetos) que estão sendo promovidas para diminuir
suas conseqüências serão os assuntos
abordados durante dois encontros internacionais que acontecerão
em Manaus, no período de 12 a 15 de junho, no hotel
de selva Tiwa Amazonas |
Ecoresort.
As reuniões, 24ª Reunião do Conselho Executivo
(CE) e a 14ª Reunião da Conferência das Partes
(CoP) do Instituto Interamericano para Pesquisa em Mudanças
Globais (IAI), tratarão sobre as questões financeiras
e programáticas que abordam os programas científicos
colaborativos presentes e futuros do IAI. O encontro será
restrito aos convidados.
Organizado
pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA),
o evento conta com financiamento do Ministério da Ciência
e Tecnologia (MCT) e apoio do Governo do Estado do Amazonas.
O IAI
tem o objetivo de melhorar a compreensão dos fenômenos
das mudanças globais do meio ambiente e suas implicações
sócio-econômicas nas Américas. As informações
são repassadas aos responsáveis pelas políticas
e tomadores de decisões dos países membros do
IAI, de forma a ajudar a desenvolver planos e ações
adequados para enfrentar os efeitos das mudanças globais
nas Américas. Para isso, o Instituto orienta-se pelos
princípios da excelência científica, da
cooperação internacional, bem como do amplo
e aberto intercâmbio de dados científicos.
Sobre
o IAI
Foi criado
durante a Conferência das Nações Unidas
sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (UNCED), realizada
no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992. Na época, os líderes
mundiais solicitavam a criação de uma entidade
internacional que tivesse um enfoque regional para abordar
as mudanças globais do meio ambiente e, em particular,
para realizar trabalhos de pesquisa cooperativa multinacional
e produzir informação científica que
nenhum país pudesse realizar individualmente.
Inicialmente,
16 países das Américas responderam a este chamado,
ao assinarem o Acordo Internacional Constitutivo do IAI no
dia 13 de maio de 1992, em Montevidéu, Uruguai. O Instituto
conta na atualidade com 19 países membros: Argentina,
Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia,
Costa rica, Cuba, Equador, Estados Unidos da América,
Guatemala, Jamaica, México, Panamá, Paraguai,
Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
| Ponte
sobre o Rio Negro tem 20% das obras concluídas |
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Na
última quarta-feira, dia 16 de dezembro, o Ouvidor
Geral, Francisco Souza, realizou uma visita técnica
ao canteiro de obras, onde são executados os trabalhos
de construção da ponte sobre o Rio Negro.
De acordo com o Ouvidor 20% das obras já estão
prontas, com a conclusão da concretagem dos dois
primeiros tabuleiros (pista) da Ponte Manaus-Iranduba.
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Segundo
a assessoria do Consórcio Rio Negro, atualmente, as
obras da ponte é o empreendimento que mais contrata
mão-de-obra em Manaus, os interessados devem procurar
o Sistema Nacional de Empregos (Sine), localizado na Avenida
Joaquim Nabuco, 878, Centro, que ainda dispõe de vagas
para pedreiro e carpinteiro. Atualmente 980 trabalhadores
atuam, divididos em três turnos.
O Ouvidor
Geral, Francisco Souza, afirma que a construção
da ponte que ligará Manaus ao município de Iranduba
representará um marco de desenvolvimento na história
do Amazonas. "A ponte agilizará também
o transporte de pessoas e mercadorias utilizadas no Pólo
Industrial de Manaus".
A obra
é um empreendimento do Governo do Estado do Amazonas
executado pelo Consórcio Rio Negro, formado pelas empresas
Camargo Corrêa e Construbase Engenharia e ligará
Manaus ao município de Iranduba, entre a Ponta do Ouvidor,
no bairro da Compensa, em Manaus, e a Ponta do Pepeta, em
Iranduba. Com 3.600 metros de extensão, a ponte levará
30 meses para ficar pronta com data prevista para inauguração
em dezembro de 2009.
| Serafim
Corrêa cria Tarifa Social da água para usuários
de baixa renda |
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Usuários
de baixa renda passam a pagar menos pelo fornecimento
de água com a instituição, pelo prefeito
Serafim Corrêa, da Tarifa Social sobre o serviço.
De acordo com o Decreto nº. 9.838, de 17 de dezembro,
que também autoriza reajuste equivalente a 11,88%
no preço da tarifa, enquadram-se na Tarifa Social
os usuários inscritos no Programa Bolsa Família,
do Governo Federal. |
A Tarifa Social alcançará desconto de 50% na primeira
faixa de consumo de acordo com os critérios da estrutura
tarifária vigente para a categoria residencial e incluem-se
no programa os eventuais débitos existentes perante a
empresa Águas do Amazonas até a data da implantação
do benefício.
Para a
aplicação da Tarifa Social será mantido
e atualizado pela Prefeitura o cadastro de beneficiários
do Bolsa Família, de acordo com as regras do Governo
Federal.
Por se
tratar de subsídio direto, a compensação
se dará através do investimento já feito
pelo Poder Concedente na ampliação do sistema
de abastecimento de água e esgotamento sanitário,
estimado, no mínimo, em R$ 60 milhões de reais.
De acordo
com o Decreto nº. 9.838, o prazo para a implantação
da Tarifa Social é de 90 dias, constituindo-se comissão
mista, com participação de membros indicados
conjuntamente pela entidade reguladora, concessionária
e Poder Concedente, que, sem prejuízo de novos critérios
para ampliação do benefício, terá
como objetivo a apresentação do modelo de operacionalização
e de compensação do subsídio.
Tarifa
Social
Ao instituir
a Tarifa Social da água e determinar o reajuste de
11,88%, o prefeito Serafim Corrêa levou em conta as
obrigações constantes do contrato de concessão,
a análise preliminar da Agência Reguladora dos
Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas
(Arsam) e a audiência pública realizada na última
quarta-feira, 17, na sede da Prefeitura.
Considerou,
ainda, a necessidade de manutenção do equilíbrio
entre o interesse público e privado, visando preservar
a oferta e qualidade de serviços dos serviços.
E também o dever do Poder Público Municipal
de promover justiça tarifária em favor da população
mais carente da cidade de Manaus, com base na modicidade e
acesso adequado a serviços de saneamento básico.
Audiência
pública
O valor
e a oportunidade do reajuste da tarifa de água em Manaus
foram discutidos por representantes de setores da sociedade,
o Poder Executivo e a Arsam durante audiência pública
realizada no auditório João de Mendonça
Furtado, da Prefeitura de Manaus, na Avenida Brasil, Compensa,
Zona Oeste.
"A
audiência é fase obrigatória da lei de
saneamento que prevê que todo e qualquer reajuste ordinário
ou extraordinário seja discutido ou pelo menos apresentado
à população em audiência pública",
disse o subprocurador geral do município, Marcos Cavalcanti.
A concessionária
solicitou em novembro último o reajuste ordinário
anual de 11,88%, utilizando o Índice Geral de Preços
e Mercadorias (IGP-M), calculado pela Fundação
Getúlio Vargas. Com esse reajuste o valor do metro
cúbico (m3)de água em áreas residenciais
passará de R$ 1,80 para R$2,02. Os reajustes ordinários
da tarifa, conforme Cavalcante são contratuais e estão
previsto na repactuação do contrato da Prefeitura
com a Águas do Amazonas em 2007 devendo ocorrer todo
janeiro de cada ano. Pelo contrato a nova tarifa entra em
vigor 30 dias após a autorização do prefeito.
Durante
a audiência, o subprocurador referiu-se à criação
da Tarifa Social como alternativa colocada à disposição
do prefeito com desconto de 50% no valor do metro cúbico
de água em áreas residenciais na faixa de consumo
mais baixa que é de 0 a 10m3. Essa tarifa social -
uma bandeira de luta dos movimentos sociais - já estava
prevista na repactuação do contrato com a concessionária.
Conforme
o diretor de operações da Águas do Amazonas,
Rogério Cedras, 47% de todas as ligações
de água em Manaus estão dentro da primeira faixa
de consumo que vai de 0 a 10m3. As famílias que possuem
essas ligações pagam atualmente a taxa fixa
de R$ 18.
"À
medida em que aumenta o consumo de água dessas famílias
aumenta também a taxa de consumo", destacou Cedraz.
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