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"Quando junho se aproxima, lá
vem ela, toda faceira, com seus vestuários rendados
e rodados, seus chapéus de palha e seu jeito encantado,
`puxando` a quadrilha, a ciranda, as danças de pássaros,
mostrando os bumbás e outras danças regionais".
A princesa do folclore, caboclo é
brilhante, encanta o dia, à noite, é fascinante.
Não perde nem pra caipirão,
quando mostra sua dança, seu bailado, ganha todo coração.
Fonte Boa é assim. Expressão cabocla de um folclore
que não tem mais fim".
Muito antes de se criar o Festival Folclórico,
já havia uma grande quantidade de cordões folclóricos.
Sendo que esses cordões eram organizados
pelas escolas e por pessoas da comunidade. Cada escola apresentava
suas danças nas próprias escolas. Era a chamada
festa junina. Umas escolhiam a data de Santo Antonio, outras,
a data de São João e, outras ainda, o dia de
São Pedro e São Paulo ou São Maçal.
Faziam-se grandes fogueiras. Havia quermesse nas escolas para
angariar fundos para a própria escola. Cobravam-se
entrada para quem quisesse assistir às brincadeiras,
como eram chamadas. Cordões folclóricos famosos
como a dança do Tangará, a dança do Beija-flor,
a dança do Barqueiro, a Caninha-verde, a Dança
da Garça e outras, ficaram eternas nas mentes dos fonteboenses.
Há de se lamentar que essas danças foram extintas
das apresentações do festival.
Mas em contrapartida, outras surgiram como
o Cangaço, a Dança Portuguesa, a Dança
Afro-América, o Gambá e outras.
Como já foi mencionada, a dança
não tinham um local certo para se apresentar. Em conseqüência
disso, os professores Pedro André Filho, Humberto Ferreira
Lisboa, Graça Affonso, Graça André, Terezinha
Braga e outros, resolveram reunir as apresentações
das danças em um único local. Para isso, apresentaram
seu projeto ao Prefeito, o senhor Francisco Pereira de Souza,
que é um amante da cultura fonteboense, o qual gostou
da idéia e mandou construir a quadra da Escola Estadual
São José para as apresentações
dos cordões folclóricos. O ano era 1980. Aí
surgia o 1º Festival Folclórico de Fonte Boa.
A data das apresentações desse festival foi
23 e 24 de junho. A partir daí surgia à disputa
por título entre as danças.
Dois anos depois, as apresentações
do Festival Folclórico foram transferidas para a quadra
de esportes Francisco Camelo Cavalcante, que foi palco de
apresentações até o ano de 2003. Neste
mesmo ano, os bumbás Tira-prosa e Corajoso já
se apresentaram no Centro de Convenções de Fonte
Boa (Bumbódromo). Este centro ainda estava em construção.
Havia apenas uma pista, seis arquibancadas laterais para as
duas torcidas e camarotes, todos feitos de madeira de açacu.
As apresentações do XXIV Festival
Folclórico de Fonte Boa (2003) foram organizadas da
seguinte forma:
Cordões
folclóricos - Danças e quadrilhas:
Dia
20/06/2003 - apresentações dos cordões
folclóricos infantis.
Dia 21/06/2003 - apresentações dos cordões
folclóricos adultos.
Dia 23 e 24/06/ - apresentação final
dos três classificados das noites anteriores.
Os
bumbás Tira-prosa e Corajoso:
Dia
28/06/2003 - Corajoso e Tira-prosa.
Dia 29/06/2003 - Festa dos visitantes. Divulgação
das danças classificadas.
Concurso da escolha da rainha caipira do festival.
Dia 30/06/2003 - Tira-prosa e Corajoso.
Portanto,
pode-se afirmar que a cultura do povo fonteboense corre em
suas veias e invade sua alma. A conclusão disso é
que Fonte Boa apresenta o segundo melhor Festival Folclórico
do Amazonas e o primeiro da Calha do Solimões. Esse
feito se deve a cada fonteboense que nos meses de abril, maio
e junho se dedica de corpo e alma à cultura.
AS
ORIGENS DOS BUMBÁS DE FONTE BOA
Os
bumbás de Fonte Boa, assim como a maioria das manifestações
folclóricas do país, originaram-se dos vários
sincretismos culturais que aqui ocorreram, ou seja, a grande
diversidade de povos (indígenas, nordestinos, negros,
etc.) que se estabeleceram nesta terra, propiciando a fusão
de diversos elementos de suas diferentes culturas e deram
origem a esta singular forma de manifestação
folclórica feita pelo e para o povo. A verdade é
que esse folguedo oriundo do Maranhão, é tão
antigo em Fonte Boa quanto nas demais localidades que também
celebram esta manifestação popular.
Nos primórdios de sua criação,
as brincadeiras dos bumbás de Fonte Boas foram escritas
nas ruas da cidade na segunda metade do século XX.
O primeiro bumba chamava-se Estrelinha e foi criado em 1922
pelo senhor Lúcio Guimarães. No ano de 1935,
surgiu o segundo bumba, o Brilho- dia que foi criado pelo
senhor Damásio, um maranhense. Em 1940, o senhor Damásio
cria o seu segundo bumba, o Pingo-de-ouro. No ano de 1953,
o senhor Severo da Costa Leite (Dandã) criou o bumba
Mina-de-ouro. Finalmente, no ano de 1958, o senhor Dandã,
juntamente com o senhor Sebastião de Oliveira (Tinho)
criaram o bumba Tira-prosa.
Após a morte do senhor Dandã, o
boi bumba Tira-prosa ficou sob a responsabilidade do senhor
João Alfredo de Oliveira Filho (Catulino) e seus irmãos.
Por muitos anos participaram como protagonista desse bumba
os senhores: João Alfredo de Oliveira Filho (Catulino)
como Amo do boi, senhor Raimundo de Oliveira (Cravo) como
Rapaz, Senhor Sebastião de Oliveira (Tinho) como Vaqueiro,
o senhor Onofre da Costa Oliveira (Arigó) como Miolo
do boi, senhor Milton da Costa Oliveira como Tamborista, senhor
Diamantino Antonio Correa Antunes (Dió) como Dona Maria,
senhor Danilo Fernandes Caresto como Doutor, senhor Arnaldo
Nogueira de Lima (Nenoca) como Padre, os senhores Américo
Sampaio (Pirarara) , Jorge Lins, Raimundo Azumar Carneiro
(Toá), Lourival Diniz e outros como Pai Francisco,
Cazumbá e Catirina.
O boi bumba Tira-prosa ficou sob a responsabilidade
da família Oliveira até o falecimento do senhor
João Alfredo de Oliveira Filho (Catulino) em 1990.
Fonte Boa tem muito que agradecer a este senhor, especialmente
a galera vermelha e branca, por seu dinamismo, sua disponibilidade
e incentivo à cultura fonteboense.
Os bumbás acima mencionados, com cerca de 30 brincantes,
saíam às ruas, brincavam de casa em casa, iluminados
por suas lamparinas e belos versos de seus poetas, os amos.
Durante as suas apresentações encenavam o auto
do boi, ou seja, o bumba era apresentado ao dono da casa,
em seguida havia a morte e por último a ressurreição
e a despedida. Era mais ou menos assim:
O bumba com seus personagens saíam
do curral ou maromba, como era chamado, para dançar
em determinadas casas. Todo o povo os acompanhava, com músicas
do tipo:"Hei de lá, hei de cá, oh Maria
vou te levar...". Primeiramente entravam no terreiro
os índios, depois os personagens e por último,
o boi, que era saudado pelos presentes com a música
"Boa noite povo amazonense, boa noite aqui mais eu cheguei...".
Em seguida, o boi dançava no terreiro ao som de belíssimas
músicas que se eternizaram na mente do fonteboense.
Eis algumas:
- "Oh lua, que tanto brilha, que ilumina quase o mundo
inteiro...".
- "Vem vê, morena, vem vê, vem vê qual
é o maior. Venha ver boi Tira-prosa, oh morena, que
este ano é o melhor".
- "Rola, rola, rola boi/ rola boi bumba. Rola que eu
mandei rolar, rola boi bumba".
- Xô passarinho, meu gavião totoriá/ oh
vaqueiro pega na vara está na hora de matar".
Com esta última toada, Pai Francisco
matava o boi, para atender ao pedido de Catirina que estava
grávida e desejava comer a língua do boi. O
amo, que era o dono do novilho, ia ter com Pai Francisco.
Ordenava ao velho Chico que queria o seu boi vivinho, a qualquer
custo. Pai Francisco não tinha outra alternativa, senão
vender a língua do boi ao dono da casa e aos presentes
para assim, pagar o doutor que poderia ressuscitar o boi.
Com o dinheiro na mão, Pai Francisco o doutor. Este,
aplicava todo o seu conhecimento de medicina, mas o caso era
sem solução. Velho Chico já angustiado,
e sem saber o que fazer, apelava para os poderes do velho
curandeiro, o pajé, que na época era chamado
de Diretor dos índios. Este, com seus poderes e magia
ressuscitava o boi. O primeiro sinal de vida era expresso
por um forte urro. Em seguida o boi se levantava e começava
a dançar novamente. Faziam a despedida daquela casa
com a toada: "Eu tava na beira da praia, quando o meu
boi embarcou/ foi a prenda mais bonita que as ondas do mar
levou/ adeus, adeus que já vou, pois despedida quem
vai sou eu". Despedia-se daquela casa e iam dançar
em outra. Seguia-se o mesmo ritual.
Um dos fatos mais importantes ou curiosos
era a matança do boi, a festa de encerramento das apresentações
do bumba daquele ano, que ocorria sempre no mês de julho.
Como isso se dava? Tudo acontecia da seguinte forma:
Escolhiam uma data para esse acontecimento.
Um ou dois dias antes, o boi era escondido na mata pelo amo,
o miolo e o vaqueiro. Melavam todo o boi com lama e cobriam
o seu corpo com samambaia. Nem a cabeça e os chifres
escapavam da lama. Na data combinada, todos saíam à
sua procura com bebidas e foguetes. Aquele que o encontrasse,
tratava logo de soltar o foguete, era o sinal de que o haviam
encontrado. Isso acontecia mais ou menos às 16 horas.
Em seguida, o boi e alguns personagens saíam às
ruas da cidade, fazendo a despedida do boi com a música:
"Cheguei, cheguei, cheguei/ cheguei do Piauí/
apareça nos meus olhos/ que eu quero me despedir...".
A essa altura, o boi estava bravíssimo, porque o vaqueiro
tentava laçá-lo para levar ao curral. Todo o
povo tinha muito medo. Finalmente o vaqueiro conseguia laçar
o animal e o conduzia até o curral. Chegando neste
local, o boi era abatido com um tiro de espingarda, o cartucho
era carregado apenas com espoleta e pólvora, e depois
sangrado. Sua morte era comemorada com muito vinho, que simbolizava
o sangue do boi.
Encerravam-se, portanto, as apresentações
do bumbá daquele ano com muita festa.
Eis uma pergunta muito curiosa: Quem mantinha
a brincadeira de boi? A paixão de seus donos e as pessoas
que compravam a língua do boi, pagando para a apresentação
em frente as suas casas.
O nosso boi de rua tinha os seguintes personagens:
o Boi, Amo, Pai Francisco, Catirina, Cazumbá, Vaqueiro,
Padre, Dona Maria, Diretor dos índios, Doutor, os Índios,
Miolo, Rapaz e o Tamborista.
Os materiais para a confecção
do boi, acessórios e fantasias dos brincantes eram
os seguintes: O tambor era feito de toras de madeira ocada,
depois plainada, e por último era pregado couro de
boi, couro de preguiça, couro de porquinho ou veado.
Para afinar, esquentavam no fogo ou deixavam o tambor exposto
ao sol. O boi era confeccionado com madeira, cipós,
capim ou samambaia e era coberto com cetim. A cabeça
era feita de madeira e o chifre era pregado. Era usado chifre
mesmo!
Para o enfeite ou decoração,
eram usados algodões, papel brilhosos (geralmente retirado
de carteiras de cigarro), grude de goma e papel de seda colorido.
Para os enfeites dos índios eram usados penas de garça,
arara, gavião, papelão e outros. As roupas do
amo, rapaz e vaqueiro eram feitas de cetim ou seda. Os chapéus
eram de carnaúba e enfeitados com espelhinhos, algodão,
papel brilhoso e muitas fitas coloridas. Eram colados com
grude de goma. Pai Francisco, Catirina e Cazumbá usavam
roupas velhas e uma máscara para não serem identificados.
A Dona Maria, geralmente era um homem e este se vestia com
roupas femininas do tipo saia e blusinha. Na cabeça
usava uma barquinha toda enfeitada com papel de seda e papel
brilhoso. O Doutor usava paletó e gravata, e o Padre,
batina.
Já nos anos 70, a família
Oliveira, desestimulada por falta de recursos e incentivo
à cultura, não colocou mais o bumba nas ruas.
Mesmo assim, algumas pessoas como o jovem Moaca e outros,
faziam seus boizinhos e apresentavam nas ruas da cidade.
A era dos bumbás de rua e terreiro,
especificamente o Tira-prosa, tem seu final na década
de 70.
Em 1997, o boi bumbá Tira-prosa
fez uma homenagem a um de seus fundadores, o senhor Dandã,
com uma toada intitulada: Mestre Dandã!, composição
de Dr. Wilson Lisboa e Tiago Lisboa.
Ele
viveu há muito tempo
Era de outros festivais
Poucos aqui o conheceram
Ele era mestre e alguma coisa a mais.
Quando
chegava o mês de junho
Homenageava São João
Com tambores de pele curtida
Fazia suas próprias toadas
E assim nossa cidade se encantava.
Quem
lembra teu nome,
Quem lembra teu canto Dandã
Maestro do meu povo
Me faz feliz de novo!
O BOI DE ESCOLA
No
início dos anos 80, a Escola Estadual São José,
através da professora Jesuete Pacheco Brandão,
natural de Parintins, colocou o boi bumba Banho-de-ouro, cujas
cores eram amarelo e preto.
Foi uma espécie de inovação
na apresentação da brincadeira de boi. Já
não havia mais o auto do boi, ou seja, a morte e ressurreição.
Novos personagens foram introduzidos como: rainhas, tuxauas,
tribos, toureiras, sereia, as bailarinas, saci, Iemanjá
e outros.
No ano de 1983, a então Diretora
da Escola Estadual Waldemarina Ferreira, professora Jany Ferreira
Lins, organizou, juntamente com a professora Jesuete Pacheco
Brandão e outros, o boi bumba Garantido. Este disputou
com o boi bumba Banho-de-ouro da Escola Estadual São
José. Foi campeão o primeiro. Em 1984, houve
a mesma disputa e foi campeão o boi da Escola Estadual
São José.
Em 1988, a Escola Estadual Waldemarina
Ferreira organizou sua festa junina no pátio da própria
escola. Para essa festa foram construídos arquibancadas
e um tablado (palco) para as apresentações das
danças. Nesse ano a escola foi responsável pela
apresentação do boi bumba Tira-prosa. O mesmo
foi organizado pelos professores Dorgival Lisboa, Humberto
Lisboa, Sebastião Lima, Pedro André e outros.
Não houve disputa porque só se apresentou esse
boi.
No ano de 1990, o então diretor
da Escola Estadual Armando Mendes, professor Francisco das
Chagas Fernandes de Freitas, juntamente com os professores
daquela escola, criaram o boi bumba Caprichoso nas cores azul
e branco. Não houve disputa entre bumbás porque
só se apresentou esse boi. Este disputou com o cordão
folclórico Caipirão da senhora Creuza Lisboa.
Foi campeão o Caprichoso na categoria de melhor dança.
Em 1991, a Escola Estadual Waldemarina
Ferreira, sob a direção da senhora Isabel Avelino
Gomes, juntamente com os professores e alunos daquela escola
organizaram o boi bumba Tira-prosa, que disputou com o Caprichoso
da Escola Estadual Armando Mendes. Saiu vencedor o último.
Durante 12 anos, as escolas de nossa cidade tiveram a responsabilidade
de manter viva a tradição do que hoje é
a maior manifestação e expressão cultural
do município de Fonte Boa: a festa do boi.
A DISPUTA EM FESTIVAIS
A
disputa dos bumbás em festivais começa em 1992,
quando a senhora Creuza Ferreira Lima cria o boi bumba Garantido
nas cores vermelho e branco. A partir desse período,
o boi bumba Caprichoso já não pertence mais
a escola Estadual Armando Mendes, e sim ao senhor Francisco
das Chagas Fernandes de Freitas, seu fundador.
No ano seguinte, 1993, a Comissão
Organizadora do bumbá vermelho e branco resolveu trocar
o nome Garantido para Tira-prosa, mas as cores permaneceram.
O bumba azul e branco continuou com o nome Caprichoso, que
só foi mudado para Corajoso no Festival de 1995.
O incentivo municipal começa a partir
desse ciclo, quando os bumbás se organizam em agremiações,
principalmente para poder receber ajuda do poder público
e melhorar a estrutura das apresentações e do
Festival. Mas a ajuda ainda era incipiente. Não há
estimativa exata de quanto custava a apresentação
dos bumbás no Festival e nem do número de brincantes.
Há quem afirme que ficava entre 100 a 150 brincantes.
O povo já começava a se organizar,
principalmente as torcidas. Vários personagens foram
introduzidos como: Sinhazinha da Fazenda, Cunhã-poranga,
Comissão de frente, Levantador de toadas, Rainha da
bateria, porta-estandarte, Pajé, Rainha do folclore
e outros.
Não havia ainda um Regulamento específico
dos bumbás. Este foi criado em 1997 pelos professores
João Coelho e Sebastião Lima. A cada ano o Regulamento
é revisado e discutido com os representantes dos bumbás
e a Comissão Organizadora do Festival para melhorar
as apresentações dos bumbás.
O artigo 25 do Regulamento dos bumbás
diz o seguinte: "Serão avaliados 24 quesitos que
receberão notas mínimas de 7,0 (sete) e máximas
de 10 (dez) pontos cada item. E os quesitos a serem julgados
são os seguintes":
Item
01 - Apresentador do bumbá
- vestes
- voz
- postura
- ordem de acordo com a sinopse
Item 02 - Levantador de toadas
- vestes
- interpretação
- ritmo
- postura
Item 03 - Bateria
- fantasia
- apresentação
- harmonia
- evolução
- conjunto
Item
04 - Rainha da bateria
- fantasia
- harmonia
Há muita controvérsia em relação
ao resultado de classificação dos bumbás,
todavia, para efeito de organização, contamos
com os seguintes títulos de campeões:
1992
- Garantido (hoje Tira-Prosa)
1993 - Caprichoso (hoje Corajoso)
1994 - Só se apresentou o Tira-Prosa
1995 - Corajoso
1996 - Os bumbás não se apresentaram
1997 - Tira-Prosa
1998 - Só se apresentou o Tira-Prosa
1999 - Corajoso
2000 - Corajoso
2001 - Tira-Prosa
2002 - Corajoso
2003 - Corajoso
2004 - Tira-Prosa
2005 - Tira-Prosa
2006 - Corajoso
2007 - Corajoso
Em
2002, as duas agremiações criaram seus Estatutos
e tornaram-se empresas com as seguintes denominações:
1.
Associação Folclórica Cultural de Fonte
Boa Boi Bumbá Tira-Prosa
CNPJ - 05474239/0001 - 17
Sede provisória: rua Boulevard Álvaro Maia -
s/nº - São Francisco I
Presidente: Dr. Alailson Ferreira Lisboa.
2. Associação Folclórica boi bumbá
Corajoso
CNPJ - 05.421.021/0001-02
Sede provisória: rua Barnabé Gomes - s/nº
- Cidade Nova
Presidente: Domício José Coelho
PRESIDENTES DOS BUMBÁS
DE FONTE BOA:
TIRA-PROSA
1º
- Senhor Severo da Costa Leite (Dandã - 1958 - data
de sua
fundação)
2º - Senhor João Alfredo de Oliveira Filho (Catulino)
3º - Senhora Creuza Ferreira Lima;
4º - Senhor Sebastião Ferreira Lisboa;
5º - Senhor Dr. Wilson Ferreira Lisboa;
6º - Senhor Tiago Ferreira Lisboa;
7º - Senhor Dr. Alailson Ferreira Lisboa.
CORAJOSO
1º
- Senhor Francisco das Chagas Fernandes de Freitas;
2º - Senhora Vanusa Torres Gomes;
3º - Senhor Wallace Lessa Caresto;
4º - Senhor Sílvio Reis Leite;
5º - Senhor Domício José Coelho
6º - Senhor Wallace Lessa Caresto
É
importante afirmar que na atualidade há um interesse
maior dos bumbás por temas relativos ao ambiente e
à ecologia em todas as suas apresentações,
quer seja em festas com características populares,
quer seja no grande espetáculo. A preocupação
com o ambiente, seus limites e a não depredação
estão sendo trabalhados, embora de maneira tímida,
pelos bumbás, por meio de temas das toadas, do reverenciamento
aos antepassados indígenas, ou ainda, pela busca do
uso de material mais ecológico para os adereços.
Vale a pena ressaltar que o diferencial
dos bumbás de Fonte Boa está na exaltação
da cultura indígena e cabocla, seus costumes, lendas
e rituais, que substituíram o tradicional Auto do Boi.
Está na paixão de seus brincantes
e torcedores que dividem a cidade em azul e branco, do Corajoso,
e vermelho e branco, do Tira-prosa. Então como definir
a paixão que nasce azul ou vermelha?
A resposta pode estar em cada rosto, em
cada semblante, na bandeirinha erguida no alto da mais alta
árvore da cidade, nos passos firmes do brincante das
tribos, no sorriso do apaixonado torcedor, no sonho da menina
que quer ser a cunha mais bonita da tribo, na filha que torce
pelo Corajoso e no pai que morre de amores pelo Tira-prosa.
A paixão vem de berço, não há
explicação lógica.
Assim é o fonteboense. Nas arquibancadas
fica calado, imóvel, assistindo a apresentação
do rival.
Na saída do bumbódromo, ele
só vê defeitos no adversário: "que
boi feio, repetitivo", "as alegorias mal acabadas",
"se perdeu em tribos", "ah! a roupa da fulana
estava horrível", "tu viu só a galera
deles, não tava com nada, bando de invejosos!",
"a nossa deu um show, a `cabocada´ tava em peso",
"olha, mana, tenho fé em Deus que vamos ser campeões!".
Nessa hora não há quem segure a língua
do fonteboense e todo mundo quer ser jurado da festa. E ai
de quem discorde, é confusão na certa.
Esse é o fonteboense da gema, caboclo
de fé, valente, guerreiro, para ele não há
limites, a paixão pelo boi é um sentimento de
realização pessoal.
E que mais pode ser dito?
Fonte Boa, sua identidade cultural é
uma herança de amor!
Eis
as temáticas amazônicas abordadas pelos nossos
bumbás:
Boi
Bumbá Tira-Prosa
1997 - Pescador Sonhador!
1998
- Tira-Prosa, o Nosso Boi!
1999
- Fonte Boa, Três Séculos de Cultura, Heroísmo
e Vitórias!
2000
- Lendas, Mistérios e Encantos!
2001
- Fonte Boa e Suas Maravilhas!
2002
- Grito Caboclo!
2003
- Amazonas, Meu Encanto!
2004
- Garra e Fé, Fauna e Flora, Revivendo as Canções!
2005
- Tira-Prosa, Meu Boi Vermelho Vivo!
2006
- Amazônia - Festa Cabocla!
2007
- Natureza Dia e Noite
Boi
Bumbá Corajoso
1999
- Fonte Boa, Ontem e Sempre!
2000
- Magia e Clamor da Mãe Natureza!
2001
- Amazônia, Palco dos Gritos Tribais!
2002
- Santuário Encantado e as heranças dos Meus
Ancestrais!
2003
- Amazônia, Berçário da Vida e Cenário
de Devastação!
2004
- Canoeiro da Amazônia!
2005
- Amazonas - Templo Verde, Terra Indígena!
2006
- Corajoso, Festa Tribal e Cabocla!
2007
- O Poder da Criação
COMO
SURGIRAM AS CORES DOS BUMBÁS DE FONTE BOA
No
ano de 1930, a professora Rita Damasceno do Nascimento, a
dona Ritinha, esposa do Delegado de Polícia do Município,
organizou a dança da Pastorinha por ocasião
das festas natalinas daquele ano.
A brincadeira era organizada em dois cordões,
um encarnado e o outro azul. Os objetivos da dança
eram exaltar o nascimento de Cristo.
No ano seguinte, a dança ganhou mais
adeptos; e assim sucessivamente nos anos subseqüentes,
a ponto de dividir a pequenina cidade em dois cordões:
o Encarnadista e o Azulista. Já começava aí
a rivalidade entre essas duas cores.
Essa tendência veio a refletir fortemente
em todas as atividades culturais do município, tais
como: jogos de futebol, voleibol, handebol e até nas
atividades religiosas. No esporte, a rivalidade era maior.
A torcida encarnadista não queria
perder para a azulista e vice-versa. Então, toda a
cidade comparecia em massa aos jogos. Havia até confusões
pela defesa da cor preferida. Nas festas religiosas, principalmente
nos festejos da padroeira, as duas torcidas tomavam conta
do arraial.
Organizavam bingos, leilões, apresentavam
suas rainhas, etc. A disputa era bastante acirrada. Mas tudo
acontecia num clima de muita festa e entretenimento.
Com o crescimento populacional da cidade,
esse movimento foi perdendo forças a ponto de ficar
adormecido, porém jamais esquecido.
Em 1990, ano de fundação
do bumba Corajoso, o cordão azulista desperta de seu
profundo sono e se incorpora ao então bumba, dando-lhe
realce com as cores azuis e brancas. Em 1992, o bumba Tira-prosa
se apresenta defendendo o vermelho e branco, herança
do do cordão encarnadista.
Assim surgiram as cores dos bumbás
de Fonte Boa. Não foram copiadas de nenhum outro festival.
Foram, sim, herdadas de toda uma geração que
iniciou nos anos 30 do século passado nesta pequenina
cidade.
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